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Costa só vai inaugurar casas reconstruídas com dinheiro privado

Primeiro-ministro está em visita ao concelho e pretende entregar as chaves aos donos de três habitações em Várzeas (Vila Facaia), Nodeirinho (Graça) e Vale Nogueira (Vila Facaia).

António Costa vai hoje entregar as chaves aos moradores de três casas totalmente reconstruídas no concelho de Pedrógão Grande. Contudo, as habitações em Várzeas (Vila Facaia), Nodeirinho (Graça) e Vale Nogueira (Vila Facaia) foram recuperadas sem dinheiro do Estado: as estruturas foram demolidas e reconstruídas através dos donativos de empresas e organizações.

A construtora Mota Engil financiou duas das casas que serão hoje inauguradas pelo primeiro-ministro: uma em Nodeirinho, e outra em Vale Nogueira. Helena Carmo, arquitecta da construtora, explica à SÁBADO que a empresa ficou sensibilizada com os incêndios. “Os casos foram indicados pela Câmara Municipal de Pedrógão Grande e nós fizemos a oferta. As pessoas acompanharam todo o projecto-tipo, e foi-lhes dada oportunidade para fazer alterações”, conta. O acordo com a autarquia foi feito fora do Fundo REVITA (Fundo de Apoio às Populações e à Revitalização das Áreas Afectadas pelos incêndios ocorridos em Junho de 2017).

A casa de Nodeirinho é um T1 e pertence a Sebastião Esteves, viúvo e reformado. Em Vale Nogueira, foi erigido um T3 para Joaquim Godinho e a sua família: quatro pessoas, ao todo. “A casa [nova] é um bocadinho inferior [à casa anterior], mas pronto, é acolhedora e está muito bem dividida”, afirmou o proprietário à agência Lusa. “Felizmente, por um lado, tive sorte.” Agora, os gastos com mobília serão assumidos pelo REVITA.

Bruno Gomes, técnico do Gabinete Operacional de Recuperação e Reconstrução de Pedrógão Grande, da autarquia, indica à SÁBADO que as casas de Vale Nogueira e de Nodeirinho são duas entre as quatro casas totalmente reconstruídas em três meses, no concelho. Um recorde.

Além destas duas, a casa de Ângela Sieger, uma alemã de 50 anos, que ficava em Mó Pequena, também foi reconstruída a 100% com uma doação da SIC Esperança. A de Carlos Dias, em Várzeas, foi financiada pela Mota Engil.

Bruno Gomes destaca ainda que 80% de uma casa em Moleiros, a “do senhor Abílio, que tem uma prótese na perna”, também já foi recuperada com o apoio da Mota Engil. Foi inaugurada há mês e meio.

O técnico da autarquia de Pedrógão Grande não esconde o orgulho. “Três meses permitiram fazer estas casas todas. Até agora, há quatro casas recuperadas a 100% no concelho de Pedrógão Grande”, conta. “Todas têm em comum serem projectos-tipo criados pela Câmara. Os planos estavam prontos ao fim de mês e meio, a seguir ao fogo”, salienta. “Fizemos alterações, os projectos ainda foram redefinidos nos últimos três meses.”

“De momento, a reconstrução de habitações e terrenos foi com a ajuda de doadores”, conta. “Há cerca de 15 entidades diferentes que estão a reconstruir casas.” Entre elas, agradece aos emigrantes, às empresas, aos particulares, aos voluntários que deitaram mãos à obra. “Às vezes corre mal, uns agradecem mais que os outros, mas no fim tem-se tudo feito. A parte nobre é essa”, diz sobre a mão-de-obra voluntária.

Gomes sublinha que a organização dos trabalhos é do Estado, com a colaboração importante da CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) do Centro, que “ajudou com a papelada”.

Apesar de os processos das casas de primeira habitação estarem em andamento, o técnico da Câmara de Pedrógão propõe que o Estado pagasse pelo menos a recuperação das estruturas das casas de segunda habitação. “No Casal da Horta, há um vizinho que ficou a viver no meio de casas ardidas. Quando acorda, vê paredes queimadas. Há problemas com cobras e ratos ao lado”, lamenta.

“Mas não fale só das coisas más!”, pede Gomes à SÁBADO, sublinhando a enorme onda de solidariedade que se gerou. “Foi a aldeia global que renasceu.” E quando o concelho recuperar como pode, com o esforço de tantas pessoas, não duvida: “Vai ser a coisa mais bonita do mundo.”

CCDRC garante que 264 casas serão reconstruídas até meados de 2018
Ana Abrunhosa, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), garantiu que “até final de 2017, a última casa estará em obra”. Ao todo, 264 habitações permanentes foram atingidas pelo grande fogo de Junho, total ou parcialmente. Segundo os levantamentos oficiais, 87 precisam de recuperação total.

Os proprietários deverão voltar às suas casas “em meados do próximo ano”, diz Abrunhosa.

Pedrógão Grande é o concelho com mais residências afectadas em Junho (155), seguido de Castanheira de Pera (68), Figueiró dos Vinhos (30), Sertã (4), Pampilhosa da Serra (3), Penela (3) e Góis (1).

Fonte: Sábado

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