Presidentes dos vários grupos políticos do Parlamento Europeu vão debater as “alegações contra o presidente do Eurogrupo” e decidir se levam o assunto ao plenário da próxima semana em Estrasburgo. PS, PSD e PCP estão contra. Em causa está a polémica dos bilhetes do Benfica. Costa já disse que Centeno não sai do Governo, mesmo que seja constituído arguido

A proposta é do Partido Popular Europeu (PPE), que enviou para os restantes grupos políticos um email com um pedido de debate sobre “alegações contra o ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo”. O conteúdo da proposta, a que o Expresso teve acesso, dá conta da intenção de levar o assunto a plenário na próxima semana, com “com declarações da Comissão Europeia e do Conselho” mas “sem resolução final”.

“É uma proposta de agendamento absurda, absolutamente extemporânea”, reage ao Expresso Carlos Zorrinho. O eurodeputado do PS acusa o PPE de querer “usar o Parlamento Europeu para denegrir Portugal”.

O PSD – que faz parte da bancada do Partido Popular Europeu – já se demarcou da posição do grupo.

EURODEPUTADOS PORTUGUESES ESTÃO CONTRA

Paulo Rangel diz que “não existe motivo” – “nem faz sentido” – discutir no Parlamento Europeu a investigação ao Ministério das Finanças por causa de dois bilhetes que Centeno pediu para assistir a um jogo do Benfica e as alegadas suspeitas de recebimento indevido de vantagem.

“Centeno não é arguido em processo nenhum”, diz ao Expresso Nuno Melo, sublinhando que a “presunção de inocência” do novo presidente do Eurogrupo deve ser tida em conta. O eurodeputado do CDS “é contra” o debate proposto pelo próprio grupo, tal José Inácio Faria. O eurodeputado do Movimento Partido da Terra diz “que não faz qualquer sentido”.

Já Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, e Marinho e Pinto acusam o PPE de “oportunismo político”. “Neste momento é prematuro fazer extrapolações políticas de um caso que não é aparentemente muito grave”, diz o eurodeputado.

“Isto é política interna e, nesta fase, não há nenhuma razão para meter isto no Parlamento Europeu”, afirma também o Eurodeputado do PCP Miguel Viegas.

PROPOSTA PODE SER TRAVADA NA QUINTA-FEIRA

O pedido do PPE deverá agora ser discutido na conferência de presidentes – que reúne os líderes dos vários grupos políticos no Parlamento Europeu – esta quinta-feira. Se houver maioria entre os presidentes, o debate segue para plenário. Caso contrário, não.

“Confio que a conferência de presidentes considerará este tema inadequado e sem substância para agendamento”, diz ainda Zorrinho.

O Grupo dos Sociais e Democratas (S&D), de que faz parte o PS, deverá opor-se ao debate, tal como o Grupo da Esquerda Unitária, onde têm assento PCP e Bloco de Esquerda. Já o PPE considera que a discussão tem relevância por estar em causa o presidente do Eurogrupo.

A próxima sessão plenária do Parlamento Europeu decorre na próxima semana em Estrasburgo.

Fonte: Expresso

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