Michael Bates protagonizou um dos pedidos de demissão mais dramáticos dos últimos anos. Chegou uns minutos atrasado a uma sessão de perguntas e acabou a demitir-se. Os presentes gritaram “não”.

Um ministro britânico renunciou ao cargo na Câmara dos Lordes depois de ter chegado ao trabalho uns minutos depois do que era suposto, saindo de seguida da sala para espanto de todos os presentes. Este já é considerado um dos pedidos de demissão mais surpreendentes dos últimos anos.

Michael Bates deveria marcar presença às 15h de quarta-feira, 31 de janeiro, para responder a uma questão agendada, da sua colega Ruth Lister, sobre a desigualdade de renda, mas acabou por chegar uns minutos atrasado. Na sua ausência, a resposta foi dada por John Taylor, líder da bancada dos Trabalhistas.

Foi após este pequeno incidente que Bates, ministro no Departamento de Desenvolvimento Internacional desde 2016, disse estar “profundamente envergonhado por não estar no meu lugar”para responder à pergunta, pedindo as “mais sinceras desculpas à Baronesa Lister” e saiu da sala com todos os seus documentos debaixo do braço. Foi neste momento que os presentes gritaram “não” em protesto à renúncia de Bates.

Sempre acreditei que nos devemos reger pelos mais altos padrões de cortesia e respeito quando respondemos em nome do governo às questões legítimas da legislatura. Estou envergonhado por não ter estado no meu lugar e portanto vou entregar a minha demissão à primeira-ministra com efeitos imediatos. Lamento”, disse Bates.

Lister contou ao jornal The Guardian que escreveu uma nota a Bates a pedir que reconsiderasse a decisão, uma vez que é um dos ministros mais corretos na altura de responder às questões. Acrescentou ainda que crê que ele o fez porque “sentiu que era a coisa certa a fazer”,sublinhando que “as respostas que se ouviram, foi uma espécie de “não” espontâneo. E não tenho a certeza de que responderíamos da mesma maneira a muitos outros ministros”.

Apesar da apresentação de demissão após ter perdido o início da sessão de perguntas na Câmara dos Lordes, um porta-voz da Downing Street disse que “a resignação ao cargo foi recusada porque foi considerada desnecessária”.

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