Carta aberta a António Capucho.

Caro António Capucho, depois de ser anunciado o seu regresso sinto-me na obrigação de deixar uma mensagem a si e a todos os restantes que durantes anos foram os rostos da retórica e do ataque contra o PSD.

Justifica o seu retorno à militância com o regresso do PSD à “matriz social democrata”.

Eu digo que o senhor não tem qualquer autoridade para falar em “matriz social democrata”, quando foi capaz de trocar o seu partido pela retórica socialista, controlada pelos rostos que fizeram de Portugal o buraco da Europa. Ser social democrata é tudo menos passear pelos congressos socialistas, subir ao púlpito e anunciar votar PS. Para todos aqueles que insistem como senhor a confundir, ser social democrata não é ser socialista.

Resta-me apenas, depois de muito refletir no congresso, deixar algo claro. Ultimamente são várias as notícias sobre o regresso de indivíduos como o senhor, que traíram o partido. São vários os comentadores, barões, que atacaram o PSD, durante anos, mas agora voltam como se nada tivessem feito, comos se nada tivessem dito.

O PSD está e deve estar unido, mas nunca esperem que os militantes social democratas escondam o seu descontentamento. Somos transparentes para o país. Estamos unidos, mas não esperem que estejamos calados. Não esperem que perdoe aqueles que se diziam militantes nos bons tempos, mas não hesitaram em atacar e deixar o partido quando a conveniência assim permitiu.

Podemos estar unidos e temos de estar unidos, mas, falando para António Capucho, Elina Fraga e as restantes caras do “descontentamento”, não esperem que eu e as restantes dezenas de milhares de militantes percamos a coragem para apupar os traidores e aplaudir os que mais merecem.

Não somos comunistas que nem sequer chegam a ouvir, apenas aplaudem. Onde houver motivos para mostrar descontentamento, espere tudo menos silencio.
Esta mensagem não é para Rui Rio. Esta carta é para aqueles que nunca conseguiram lidar com o facto de Pedro Passos Coelho não lhes ter dado um cargo, mas que se justificam agora com o “reposicionamento do partido”.

O PSD continua como sempre esteve desde Sá Carneiro. Um partido que está pronto para as lutas fáceis e ainda mais pronto para as lutas difíceis, embora alguns “pesos mortos” que insistem em não desaparecer.

Estamos unidos, mas não estamos mortos.

Eu escolho não me calar como muitos o irão fazer. Eu escolho criticar quem merece, sejam eles socialistas, comunistas, bloquistas, centristas, social democratas ou até mesmo nada, como senhor. Sejam eles quem forem.

Tenho dito.

Publicado a 20/02/2018

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