A falta de enfermeiros no Hospital de Santa Maria já levou ao encerramento de uma área de cirurgia e à mudança da unidade de nefrologia pediátrica para um local com menos capacidade de internamento.

Desde o início de 2018 saíram do Hospital de Santa Maria 103 enfermeiros e foram contratados menos de metade. A falta de recursos humanos já levou ao encerramento de um setor de cirurgia, à transferência de uma unidade pediátrica com menos camas e vários serviços a terem de ser assegurados por internos.

O Diário de Notícias avança que o Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) conta apenas com 1,2 enfermeiros para cada médico, um número inferior à média europeia, que aponta para um rácio de cinco enfermeiros por médico. “Não se consegue cumprir o rácio médico/enfermeiro porque o número destes últimos no CHLN é muito abaixo do necessário para dar resposta às necessidades em horas de cuidados de enfermagem na nossa instituição”, explicou uma fonte hospitalar ao jornal. Nas consultas de ginecologia, revela um médico do Santa Maria, a situação por vezes é pior: há apenas duas enfermeiras para quatro médicos.

Para que os cuidados de enfermagem da área cirúrgica possam ser prestados, a unidade hospitalar teve de encerrar, ainda que temporariamente, um setor de cirurgia com 22 camas, para além da mudança de piso da unidade de nefrologia pediátrica, anunciada no mês passado, que provocou a redução para menos de metade da capacidade de internamento nesta especialidade.

Dos enfermeiros que abandonaram o hospital, 64 optaram por ir para centros de saúde e 39 rescindiram contrato para irem para o privado ou para outras unidades de saúde. Para os profissionais da área, a falta de recursos humanos, além de atingir o serviço aos utentes, tem consequências para os próprios profissionais, no aumento de horas de trabalho, nas falsas horas extraordinárias e no aumento das baixas médicas.

O Hospital Santa Maria conta com 1521 médicos, 127 internos e 1849 enfermeiros. A direção assegurou que a situação será reestabelecida quando for autorizada a contratação do mesmo número de enfermeiros que saíram.

Fonte: Observador

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