Carta ao patriótico desavergonhado.

Catariana Martins escreveu no passado dia 10 de junho- Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas- que “virá o dia em que os discursos oficiais serão capazes de reconhecer a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos… Até podia ser num 10 de junho.”

A Catarina Martins que tenta agora desvalorizar e rebaixar centenas de anos de história de Portugal, humilhando o país no seu dia, 10 de junho, é a mesma Catarina Martins que comemorou em março deste ano os 200 anos de Karl Marx. Virá o dia em que os discursos oficiais do Bloco de Esquerda reconhecerão a enorme violência da expansão do marxismo, a história esclavagista de povos inteiros e o tráfico de escravos que ainda existe em países controlados por regimes que esta senhora defende. O Marx que inspirou Trotsky, o homem que dizem eles ter feito frente a Estaline, mas prometeu a guilhotina para “a classe condenada que não quer ser condenada”.

O Bloco de Esquerda que, sobre as palavras da sua líder critica a larga maioria dos portugueses por não sermos capazes de “reconhecer (no dia de Portugal) a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos”, é o mesmo Bloco de Esquerda que chamou aos crimes contra os Direitos Humanos cometidos por Fidel Castro “lendas históricas”, saudou a memória do “grande estadista cubano que assim será recordado”. Defendem a memória do homem que escravizou milhões de cubanos, fuzilou milhares de outros, alguns até por serem homossexuais, que deixa apenas como legado a herança avaliada em 900 milhões de euros para a sua família.

O Bloco de Esquerda, fundado sobre três partidos ainda mais extremistas, um deles conhecido pelo ódio aos retornados da descolonização, que se faz passar hoje por moralista é o mesmo Bloco de Esquerda que destacou o ditador Hugo Chavez, conhecido pela perseguição aos meios de comunicação independentes e os elevados níveis de corrupção no negócio petrolífero, pelos “ganhos de democracia e combate às desigualdades sociais”. Cortejaram também Hugo Chávez como um “elemento central para o aprofundamento das boas relações entre Portugal e a Venezuela”, quando apenas serviu para aprofundar a amizade com, nas palavras de Chavez, “o bom amigo José Sócrates”, que acabou na compra de 1 milhão de computadores Magalhães (desaparecidos) e dezenas de milhões de euros nos bolsos do Grupo Lena para a construção de “bairros sociais”.

Estou farto que tentem que eu tenha vergonha da história do meu país, porque enquanto eu sou capaz de distinguir o bem do mal, outros fecham os olhos no presente.
Aquilo que distingue os patrióticos que comemoraram o dia 10 de junho, de pessoas como Catarina Martins, capazes de colocar a ideologia acima do país que são eleitos para representar e defender, é que nós, os patrióticos, somos capazes de reconhecer aquilo que de mau foi feito enquanto alguns camaradas tentam branquear a história que defendem como “martírio politico”. Eu conheço a história do país em que me orgulho de viver, uma nação que desde a sua fundação por várias se perdeu, mas acabou sempre por se encontrar. Uma nação de um povo que teve de lutar muito pelo pouco que tem na defesa da enormidade que é, contra Mouros, Espanhóis, Ingleses, Franceses e absolutistas. É por isso que ainda mais orgulhoso fico de não fazer parte do grupo que prefere entoar cânticos próprios, mas hipocritamente defende regimes de atual repressão.

Eles que fiquem com os cânticos que eu prefiro o hino nacional. Eles que fiquem com os ditadores que eu fico com Camões, falecido a 10 de junho de 1580, que disse mesmo antes da sua morte: “Morro com a pátria”.

Eu comemorei o dia de Portugal e sou patriótico, sem vergonha.

Tenho dito.

Publicado a 13/06/2018 nas redes sociais por Gaspar Macedo

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