Na estreia no novo espaço de comentário na SIC, Manuela Moura Guedes falou sobre o caso de violação de Ronaldo, o resultado das presidenciais no Brasil e ainda defendeu a demissão de Azeredo Lopes.

Rodrigo Guedes de Carvalho passou todo o Jornal da Noite a anunciar o regresso de Manuela Moura Guedes — “A Procuradora”, o novo formato da SIC — à televisão. Foram vários os teasers; o espaço de comentário, propriamente dito, chegou já perto das nove da noite. “Manuela Moura Guedes procura o que a espanta ou a deixa indignada, ou o que a deixou satisfeita ou com esperança”, explicou o jornalista.

Por outras palavras, o antigo rosto da informação da TVI passou a pente fino os vários temas da atualidade, desde a vitória de Bolsonaro na primeira volta das eleições do Brasil, às acusações de violação a Cristiano Ronaldo, passando pelo afastamento de Joana Marques Vidal e pela atuação do ministro da Justiça, Azeredo Lopes.

“Brasileiros votaram contra a situação do país”

Manuela Moura Guedes começou por abordar os resultados das eleições presidenciais no Brasil. Para a comentadora, Bolsoraro, que contou com os votos de 50 milhões de brasileiros e que sai como favorito para a segunda volta, “foi a surpresa destas eleições”. Não por ter tido a maioria dos votos, diz, mas pela “votação tão maciça” que alcançou.

“Os brasileiros votaram contra os partidos que têm estado no poder e contra a situação a que chegou o Brasil, de recessão económica e violência. A violência que faz com que o Brasil tenha um número de homicídios como não há em mais nenhum sitio do mundo”, começou por dizer.

Manuela Moura Guedes conclui que Bolsonaro, para o povo brasileiro, “é uma solução”. Está do lado dos generais, está contra partido que que muita gente não quer que volte ao poder, que é o PT. Bolsonaro aparece como um candidato fora do sistema, como alguém que não é partidário, como se fosse o salvador”.

“Ronaldo não pode contar como herói de coisa nenhuma”

Manuela Moura Guedes comentou o tema do momento — a acusação de violação a Cristiano Ronaldo — deixando uma crítica velada à atuação do primeiro ministro, António Costa, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Toda a gente deseja que ele seja inocente e quase toda a gente já tomou partido, inclusive os órgãos de poder”, referiu. “Quando António Costa diz que tem muito apreço e que continua a achar que Cristiano Ronaldo é uma pessoa que honra país, quando se ouve o Presidente da República dizer praticamente o mesmo… Ele continua a ser o herói de todos mas, neste caso, não pode contar como herói de coisa nenhuma, é uma pessoa”, rematou.

Manuela Moura Guedes acredita que este processo “já manchou o nome de Ronaldo” e que quando as pessoas dizem não, é mesmo não, seja qual for a condição da mulher”.

“Azeredo Lopes tem de se demitir”
A antiga apresentadora disse ter procurado na Internet por “demissões de ministros” mas ter-se surpreendido por só lhe terem surgido “as antigas”. Para Manuela Moura Guedes, o ministro da Justiça, Azeredo Lopes, tem de se demitir na sequência do caso de Tancos. “Fiquei muito admirada de não ter encontrado a demissão do ministro da Defesa, porque ele não sabe de nada. Desde o início do roubo de Tancos que ele não sabe de nada. Tem uma dúvida sistemática…”, criticou.

Manuela Moura Guedes diz que o ministro “não tem de saber de tudo”, mas que “tem de assumir a responsabilidade por casos graves como o roubo do material de Tancos”. “Não acredito que ele não soubesse, não acredito que o primeiro ministro não soubesse, nem o Presidente da República”.

“O primeiro ministro e o PS não gostavam de Joana Marques Vidal
Por fim, Manuela Moura Guedes referiu-se à não recondução do mandato de Joana Marques Vidal, recuperando as declarações de António Costa, em que diz que a Procuradora-Geral da República é “uma pessoa feliz”.

“Este processo foi feio, porque não foi transparente. Escudaram-se no princípio do mandato único, que é um bom princípio, porque faz com que não haja escolhas políticas, só que acabou por haver uma escolha política, porque o primeiro ministro não gostava de Joana Marques Vidal, nem o PS”, considera. “Como havia na lei a possibilidade de ser ela ou não, eles escolheram que não fosse ela, com a assinatura de cruz do Presidente da República, que foi a pessoa que pior se portou”.

Fonte: Observador

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