O deputado municipal de Lisboa e ex-adjunto de Ricardo Robles, Rui Costa, desfiliou-se do Bloco de Esquerda no início de setembro. Menos de um mês depois foi contratado pela EMEL.

O deputado municipal Rui Costa foi contratado para a EMEL depois de, no início de setembro, ter cortado as suas ligações ao Bloco de Esquerda, partido pelo qual foi eleito para a Assembleia Municipal de Lisboa. O também ex-adjunto de Ricardo Robles decidiu sair do partido mas continuou a exercer o mandato de deputado municipal como independente. O Observador sabe que a sua contratação está a ser vista com desconfiança, tanto pelos adversários políticos na Câmara de Lisboa como na própria EMEL.

Contactado pelo Observador, Rui Costa, que começou o seu novo trabalho a 1 de outubro, vai direto ao assunto. “Estão a dizer que, através desta contratação, o PS está a tentar comprar o meu voto na Assembleia Municipal? Não podiam estar mais enganados… Quem diz isso é porque não me conhece”, começa por dizer. “Modéstia à parte, tenho atrás de mim uma aura de irreverência e de pensamento próprio que não deixarei que seja posta em causa por esta contratação”, completa.

O agora deputado independente entrou para o Bloco de Esquerda depois de ter sido um ativo militante socialista. Entre 1996 e “os primeiros anos do socratismo”, fez parte do PS, mas acabou por deixar o partido pouco tempo depois de José Sócrates ter chegado à liderança. Uma fase que entendeu como negativa e que o fez saltar para uma força política mais à esquerda. Mesmo essa passagem pelo PS, assim como o conhecimento travado com Fernando Medina “nos tempos da faculdade” em nada interfere com a sua entrada para a EMEL, garante. “Tenho um currículo muito aceitável ligado à administração autárquica”, vaticina.

Apesar de negar terminantemente que se trate de uma contratação para tentar “comprar” os seus votos na Assembleia Municipal, Rui Costa sabe que essa leitura pode ser feita. No limite, até pode ter havido essa intenção, mas o deputado municipal diz que ficaria “muito desiludido” se essa possibilidade alguma vez tivesse passado pela cabeça de quem decidiu contratá-lo. “Se for feita justiça, pode verificar-se que votei várias vezes contra o Bloco de Esquerda assim como votei várias vezes contra o PS. E é assim que vou continuar a fazer, agora como independente: votar de acordo com aquilo que penso e cumprindo com o programa pelo qual fui eleito”, complementa.

E para colocar um ponto final “nessas teorias”, como as caracteriza, puxa do argumento temporal. “O primeiro contacto que recebi neste sentido foi feito enquanto ainda estava ligado ao Bloco de Esquerda”, assegura. Um dado que bate certo com a cronologia descrita pelo presidente da EMEL, Luís Natal Marques, ao Observador. “O primeiro contacto foi feito antes do verão”, confirma.

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