“A contratação do Dr. Rui Costa vem suprir uma lacuna que existia na empresa, na área jurídica, que se prende com o direito rodoviário”, explica o presidente da EMEL. A decisão, “como todas as contratações para a empresa”, foi tomada pela “Administração da EMEL”, assegura.

Luís Natal Marques apenas aceitou responder por escrito às perguntas do Observador, alegando razões de agenda para a sua indisponibilidade. À questão sobre se o PS, através do presidente da CML, Fernando Medina, ou do vereador com o pelouro da EMEL, Miguel Gaspar, tinha interferido na decisão, respondeu de forma sucinta: “as respostas anteriores respondem a esta questão”, dando a entender que a decisão foi tomada pela administração. No entanto, não esclarece se houve ou não pressões por parte do PS para que fosse dada luz verde à contratação de Rui Costa.

Sobre as eventuais leituras políticas que pudessem decorrer da contratação do ex-bloquista, o presidente da empresa municipal voltou a lembrar as razões que diz terem norteado a decisão. “A nossa preocupação, e o trabalho que temos vindo a desenvolver na EMEL, estão focados em prestar o melhor serviço à população de Lisboa, permitindo-lhe melhor mobilidade e mais segurança. Para o garantir, sentimos a necessidade de reforçar o nosso gabinete jurídico, nomeadamente no que respeita o direito rodoviário, razão que nos levou a avançar com a contratação do Dr. Rui Costa”, reafirma.

Rui Costa tem uma vasta experiência autárquica e jurídica. É advogado, licenciado em direito pela FDUL, tendo passado quer pelo Conselho Diretivo da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa quer pelo Senado da Universidade de Lisboa. Foi deputado municipal em S. Pedro do Sul entre 1997 e 2001 e vereador da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul de 2001 a 2005. Sempre pelo PS. Regressaria àquela Assembleia Municipal em 2009, encabeçando a lista do Bloco de Esquerda.

O deputado municipal sempre foi muito crítico das empresas municipais, como o próprio reconhece na conversa com o Observador. Mas isso, diz, não é incoerente com o facto de ter aceitado o novo cargo. “No máximo, é irónico“, defende-se. A motivação para aceitar o convite foi simples: “entendi que se tratava de um ótimo desafio”.

Começou a trabalhar na EMEL há pouco tempo mas diz ter sido bem recebido e nega que tenha havido qualquer tensão com a sua chegada. “Não notei nenhum sururu“, conta, contrariando as indicações de desconforto que tinham sido relatadas ao Observador.

O Bloco de Esquerda recusa-se a tecer comentários sobre a contratação. “Não temos qualquer informação sobre a sua situação profissional“, afirma ao Observador fonte do partido na autarquia. “Rui Costa, eleito deputado municipal nas listas do Bloco de Esquerda nas autárquicas de 2017, desvinculou-se do partido por divergência política. Tendo recusado renunciar ao mandato que lhe foi conferido pelos votos na lista do Bloco de Esquerda, passou a ser deputado independente na Assembleia Municipal de Lisboa”, esclarece ainda a mesma fonte, chutando para canto qualquer responsabilidade sobre o percurso de ex-adjunto de Ricardo Robles desde que rompeu as relações com os bloquistas.

Fonte: Observador

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