Graça Fonseca é a primeira política a assumir-se homossexual. Outros já o tinham feito, mas sempre antes de entrar no mundo da política. A secretária de Estado da Modernização Administrativa falou sobre a sua homossexualidade, para que outros o façam também.

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, falou de tudo: desde a situação em Charlotesville, à demissão dos secretários de Estado no caso Galpgate, passando pela sua orientação sexual.

Foi por considerar importante que o fez. A mulher que está na equipa de António Costa há 17 anos, mas que recusa aparecer sob os holofotes, deixou que entrassem na sua vida privada, porque não há muito quem “afirme publicamente que é homossexual. E acho que isso é importante”, partilhou.

A questão de haver poucos deputados ou membros do Governo de um determinado grupo tem muito a ver com como é que olho para essas pessoas, como me relaciono com esse outro. E com que empatia. E acho que se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia. E se as pessoas perceberem que há um seu semelhante, que não odeiam, que é homossexual, isso pode fazer que a forma como olham para isso seja por um lado menos não querer saber se essas pessoas são perseguidas, por outro lado até defender que assim não seja. Mas mesmo que seja só deixar de não querer saber já é um ganho.

Graça Fonseca entendeu que este é o momento para falar em público da sua vida privada porque a mudança de mentalidades não se faz apenas com leis, como as do casamento gay ou de mudanças à lei da adoção.

“Na verdade não é uma questão da privacidade, é uma questão de identidade. Que é dizer ‘eu sou morena e tenho olhos verdes e sou isto’. Aquilo que se faz com ser morena e de olhos verdes é que é uma questão da tua vida privada”.

“A partir do momento em que se percebe que há questões de identidade que ainda hoje são fundamento de ações violentas e discriminação, quando se pensa sobre o que fazer – vou abrir ligeiramente a porta porque pode ter um impacto positivo ou não vou abrir porque não é comigo – há um equilíbrio difícil. Mas como acho que as leis não bastam para mudar mentalidades, não bastam para mudar a forma como olho para o outro”, esclareceu.

Nas redes sociais, onde Graça Fonseca partilhou a entrevista, surgiram de imediato comentários. Isabel Moreira, deputada do PS, apareceu em defesa da secretária de Estado: “O espaço público precisa de mais coragem, de mais Graças Fonsecas. O PS é o único partido em que em poucos anos ganhou o espaço necessário para acolher uma saída de armário de uma responsável pública, acrescendo a dois deputados”.

Os dois deputados a que Isabel Moreira se refere são o ex-deputado Miguel Vale de Almeida e ao atual deputado Alexandre Quintanilha, que ocuparam cargos políticos depois de terem assumido publicamente serem homossexuais.

Fonte: ZAP

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